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O que diz a Lei 8.666/93 sobre licitações e contratos

Os processos de licitação e contratos administrativos são baseados na Lei 8.666/93. Compreender essa norma é fundamental tanto para gestores públicos e servidores responsáveis por conduzir os processos licitatórios quanto para empresas que desejam fornecer bens e serviços ao governo.

Neste artigo, você vai conhecer os principais aspectos da Lei 8.666/93, desde seus princípios fundamentais e modalidades de licitação até as etapas dos processos, os direitos e deveres dos licitantes e as regras para a formalização de contratos

O que é a Lei 8.666/93 e por que ela é importante?

A Lei 8.666/93, conhecida como a Lei de Licitações, é a principal norma que rege os processos de compra e contratação de serviços e obras por parte da administração pública no Brasil. 

Essa norma define as regras e procedimentos que órgãos e entidades governamentais devem seguir para adquirir bens e serviços. Desde a publicação do edital até a assinatura do contrato, a lei estabelece regras claras.

Ela foi criada com o objetivo de garantir a igualdade de oportunidades, a transparência e a eficiência nos gastos públicos. Por estabelecer critérios objetivos para a seleção dos fornecedores e a escolha das propostas mais vantajosas, a lei ajuda a evitar o desperdício de dinheiro público, a corrupção e o favorecimento de empresas em detrimento de outras.

Quais são os princípios fundamentais da lei de licitações?

A Lei de Licitações é norteada por diferentes princípios, entre os quais se destacam a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a igualdade, a publicidade, a eficiência, a probidade administrativa, a vinculação ao instrumento convocatório e o julgamento objetivo.

A transparência e a eficiência são princípios basilares da Lei 8.666/93. Essa transparência garante que todos os atos do processo licitatório sejam públicos e acessíveis, permitindo que os interessados acompanhem e fiscalizem a aplicação dos recursos públicos. 

Já a eficiência, por sua vez, busca otimizar os processos de compra, garantindo que a administração pública obtenha os melhores produtos e serviços pelo menor preço possível, sem comprometer a qualidade e a segurança.

Quais são os tipos de licitação?

A lei prevê diversas modalidades de licitação, cada uma adequada a diferentes tipos de objeto e valores. As principais modalidades incluem:

  • concorrência: utilizada para contratos de grande vulto, como obras de engenharia e aquisição de bens de alto valor;
  • tomada de preços: aplicável a contratos de valor intermediário, como serviços de consultoria e aquisição de bens de menor valor;
  • convite: modalidade mais simples, utilizada para contratos de pequeno valor, como serviços de manutenção e pequenos reparos;
  • concurso: destinado à seleção de trabalhos técnicos, científicos ou artísticos, como projetos arquitetônicos e estudos técnicos;
  • leilão: utilizado para a alienação de bens móveis e imóveis da administração pública;
  • pregão: modalidade utilizada para a aquisição de bens e serviços comuns, em que a disputa é feita por meio de lances sucessivos.

Quais são as etapas de um processo licitatório?

O processo licitatório envolve diversas etapas e varia conforme o tipo. De forma geral, as etapas são:

  • planejamento: definição do objeto da licitação, elaboração do termo de referência e escolha da modalidade de licitação;
  • publicação do edital: divulgação do edital da licitação, que contém as regras do processo e os requisitos para os licitantes;
  • habilitação: análise da documentação dos licitantes para verificar se eles atendem aos requisitos exigidos no edital;
  • julgamento das propostas: análise das propostas dos licitantes e seleção da proposta mais vantajosa para a administração pública;
  • homologação: ratificação do resultado da licitação pela autoridade competente;
  • adjudicação: atribuição do objeto da licitação ao vencedor;
  • contrato: formalização do contrato entre a administração pública e o vencedor da licitação.

Quais são as obrigações e direitos dos licitantes?

Os licitantes têm tanto obrigações quanto deveres durante o processo licitatório. Elas incluem cumprir as regras do edital e da legislação aplicável, apresentar a documentação exigida, manter a confidencialidade das informações a que tiverem acesso e não praticar atos de corrupção ou fraude.

Mas eles também têm direitos que precisam ser observados pelos órgãos responsáveis por coordenar a licitação. Os direitos abrangem: participar do processo licitatório em igualdade de condições, ter acesso às informações do processo, impugnar o edital ou o resultado da licitação, caso se sintam prejudicados, e receber o pagamento pelo objeto do contrato, caso sejam vencedores da licitação.

O que são contratos administrativos e qual sua importância?

Após a finalização da licitação e a definição do ganhador, inicia-se o processo de formalização das obrigações, o que é feito por meio do que chamamos de “contrato administrativo”.

Os contratos administrativos são acordos firmados entre a administração pública e terceiros para a realização de um objeto de interesse público. Eles são regidos por normas específicas e têm características próprias, que os diferenciam dos contratos de direito privado.

Esses instrumentos permitem que a administração pública realize seus objetivos, como a construção de obras públicas, a prestação de serviços essenciais e a aquisição de bens necessários ao funcionamento do Estado. 

Quais são os erros mais comuns em licitações e como evitá-los? 

As licitações, por serem processos complexos, estão sujeitas a erros tanto por parte da administração pública quanto por parte dos licitantes. Entre os erros mais comuns, destacam-se falhas no planejamento, como a falta de clareza na definição do objeto da licitação, a elaboração de termos de referência inadequados e a escolha equivocada da modalidade de licitação. 

Ainda, irregularidades na habilitação e julgamento, como a falta de análise da documentação dos licitantes, o julgamento subjetivo das propostas e o favorecimento de empresas, comprometem a lisura do processo. Muitas vezes, a interposição de recursos e impugnações infundadas pode atrasar o andamento da licitação.

Para evitar tais equívocos, é importante que a administração pública e os licitantes utilizem medidas preventivas. O bom planejamento da licitação, com a definição clara e detalhada do objeto, a elaboração de um termo de referência completo e a escolha da modalidade de licitação adequada pode fazer toda a diferença. 

A análise da documentação dos licitantes, verificando se atendem aos requisitos exigidos, e a análise objetiva das propostas garantem a escolha da melhor opção. Por fim, a análise criteriosa dos recursos e impugnações antes de sua interposição evita atrasos desnecessários.

Sem dúvida, a adoção de medidas preventivas por parte da administração pública e dos licitantes é imprescindível para garantir a lisura e a eficiência dos processos licitatórios. 

A Lei 8.666/93 ainda está em vigor?

A Lei nº 8.666/93 foi substituída pela Lei nº 14.133/2021, conhecida como a Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Essa substituição ocorreu gradualmente, com um período de transição em que as duas leis coexistiram. 

No entanto, desde 1º de abril de 2023, a Lei nº 14.133/2021 passou a ser a única legislação aplicável às licitações e contratos públicos no Brasil. Confira as principais mudanças:

  • a nova lei trouxe mudanças nas modalidades de licitação, como a criação do diálogo competitivo e a extinção da tomada de preços e do convite;
  • o processo licitatório foi modernizado, com a adoção de novas tecnologias e a previsão de fases mais ágeis;
  • os critérios de julgamento das propostas foram revisados, buscando maior objetividade e transparência;
  • as regras para os contratos administrativos foram atualizadas, com o objetivo de aumentar a eficiência e a segurança jurídica.

A nova norma representa um avanço na legislação brasileira sobre licitações e contratos, à medida que busca modernizar as práticas, aumentar a transparência e a eficiência, e fortalecer o combate à corrupção.

Gestores públicos, servidores e empresas que participam de licitações devem se familiarizar com a nova lei para garantir a conformidade e a segurança jurídica. Vale destacar que, embora a Lei nº 8.666/93 tenha sido revogada, seus efeitos ainda podem ser aplicados a contratos celebrados durante sua vigência.

Com o conhecimento que você adquiriu neste texto, fica mais fácil fazer a gestão dos contratos de licitação da sua empresa. Não se esqueça, é claro, de contar com suporte especializado em caso de dúvidas para não ter problemas durante as etapas dessa administração.

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Equipe netLex
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